Após 18 anos de atuação em Olaria, o espaço amplia sua presença na região em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro. A abertura marca também o lançamento do programa CEP da Cultura, iniciativa da SececRJ que permite a ocupação cultural de imóveis públicos por projetos socioculturais, com atividades gratuitas voltadas à comunidade.
A cerimônia contou com a presença da secretária de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, e do deputado federal Áureo Ribeiro, além de uma programação artística diversificada. O público assistiu a espetáculos como Saltimbancos, Flicts, Mary Shivan, Thainara Crível Show, Dilema de Hamlet, New York Musical e Memórias, além de participar de oficinas de teatro e maquiagem. Para Wal Schneider, fundador do projeto, a nova fase representa a expansão do alcance social da iniciativa. Segundo ele, o instituto passa a atender não apenas moradores do Complexo do Alemão, mas também da Maré, fortalecendo o acesso à cultura em territórios periféricos.

Danielle Barros destacou o papel do CEP da Cultura na transformação de imóveis públicos em espaços vivos de criação e formação. A parceria com o No Palco da Vida é a primeira no Brasil a utilizar o mecanismo previsto na Lei Federal nº 14.903/2024, que integra o Marco Regulatório de Fomento e desburocratiza a cessão gratuita desses espaços mediante contrapartida social. A secretária afirmou que o projeto simboliza o compromisso do Estado com iniciativas que promovem inclusão, acolhimento e oportunidades reais de desenvolvimento por meio da arte.
A história do No Palco da Vida se confunde com a trajetória de seu fundador. Wal Schneider, nome artístico de José Valdemir da Silva Gomes, descobriu a arte ainda criança, no circo, e veio para o Rio de Janeiro aos 17 anos com poucos recursos e o sonho de ser ator. Trabalhou como lavador de pratos, balconista e faxineiro para pagar os estudos na Casa de Artes de Laranjeiras e concluir a pós-graduação. Ator e diretor, atuou em novelas, cinema e teatro, mas encontrou seu maior propósito na formação artística de jovens da Zona da Leopoldina. Hoje, além da escola de artes, ele mantém o Museu de Memória do Teatro, com mais de 40 mil itens raros, que também passa a integrar a nova sede, onde as atividades com novas turmas começam em fevereiro.