O Instituto Cultural No Palco da Vida inaugurou neste sábado, 17 de janeiro, sua nova sede em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio de Janeiro

Após 18 anos de atuação em Olaria, o espaço amplia sua presença na região em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro. A abertura marca também o lançamento do programa CEP da Cultura, iniciativa da SececRJ que permite a ocupação cultural de imóveis públicos por projetos socioculturais, com atividades gratuitas voltadas à comunidade.

A cerimônia contou com a presença da secretária de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, e do deputado federal Áureo Ribeiro, além de uma programação artística diversificada. O público assistiu a espetáculos como Saltimbancos, Flicts, Mary Shivan, Thainara Crível Show, Dilema de Hamlet, New York Musical e Memórias, além de participar de oficinas de teatro e maquiagem. Para Wal Schneider, fundador do projeto, a nova fase representa a expansão do alcance social da iniciativa. Segundo ele, o instituto passa a atender não apenas moradores do Complexo do Alemão, mas também da Maré, fortalecendo o acesso à cultura em territórios periféricos.

Danielle Barros destacou o papel do CEP da Cultura na transformação de imóveis públicos em espaços vivos de criação e formação. A parceria com o No Palco da Vida é a primeira no Brasil a utilizar o mecanismo previsto na Lei Federal nº 14.903/2024, que integra o Marco Regulatório de Fomento e desburocratiza a cessão gratuita desses espaços mediante contrapartida social. A secretária afirmou que o projeto simboliza o compromisso do Estado com iniciativas que promovem inclusão, acolhimento e oportunidades reais de desenvolvimento por meio da arte.

A história do No Palco da Vida se confunde com a trajetória de seu fundador. Wal Schneider, nome artístico de José Valdemir da Silva Gomes, descobriu a arte ainda criança, no circo, e veio para o Rio de Janeiro aos 17 anos com poucos recursos e o sonho de ser ator. Trabalhou como lavador de pratos, balconista e faxineiro para pagar os estudos na Casa de Artes de Laranjeiras e concluir a pós-graduação. Ator e diretor, atuou em novelas, cinema e teatro, mas encontrou seu maior propósito na formação artística de jovens da Zona da Leopoldina. Hoje, além da escola de artes, ele mantém o Museu de Memória do Teatro, com mais de 40 mil itens raros, que também passa a integrar a nova sede, onde as atividades com novas turmas começam em fevereiro.